Autor: Manoel Bomfim • Baixar gratuitamente: Volume 1 e Volume 2

O Brasil Nação é uma das obras finais e mais radicais de Manoel Bomfim, publicada em 1931 e concebida em 1928. Ela integra a fase derradeira de sua reflexão sobre o Brasil, ao lado de O Brasil na América e O Brasil na História, formando uma espécie de trilogia sobre a nacionalidade brasileira, a soberania e os impasses históricos do país.
Quem foi o Manoel Bomfim?
Manoel Bomfim (1868–1932) foi um intelectual nordestino de Sergipe. Além de médico, foi também jornalista, professor, educador, ensaísta e intérprete do Brasil. A bibliografia especializada o descreve como um autor fortemente engajado nos debates sobre educação, formação nacional e crítica das elites dirigentes.
O que o livro defende, em linhas gerais?
Em O Brasil Nação, Bomfim procura explicar por que o Brasil independente não conseguiu se transformar numa verdadeira nação soberana, democrática e socialmente integrada. O foco do livro recai menos sobre “defeitos do povo” e mais sobre a ação histórica das classes dirigentes, que, segundo ele, perpetuaram privilégios, bloqueando democracia, participação e inclusão. Um estudo da Fundação Joaquim Nabuco resume bem esse ponto ao dizer que, no livro, Bomfim situava as dificuldades políticas brasileiras no âmbito da atuação das elites dirigentes.
Por que ele escreveu esse livro?
Bomfim escreveu a obra como uma crítica profunda à formação histórica e política do Brasil e como uma intervenção no presente. O prefácio crítico da edição da Fundação Darcy Ribeiro observa que ele via o país preso a uma longa sequência de erros, privilégios e deformações herdadas, e que entendia ser necessária uma transformação social muito mais profunda do que a simples troca de governantes. Por isso, antes de o livro sair, ele ainda acrescentou um posfácio para deixar claro que a Revolução de 1930 não correspondia à revolução social que ele defendia. Ou seja: escreveu o livro não para celebrar uma mudança de regime, mas para sustentar que o problema brasileiro era mais estrutural e mais antigo.
Em que fase da vida ele o escreveu?
Ele escreveu O Brasil Nação na fase final de sua vida, já como um intelectual maduro, experiente e profundamente desencantado com os rumos do país. A apresentação da edição da Fundação Darcy Ribeiro afirma que a obra foi escrita pouco antes de sua morte, em 1932, já num momento de exaustão e urgência intelectual. Essa mesma fonte destaca que Bomfim a redigiu como alguém “sumamente cansado” de ver o Brasil seguir por um caminho que considerava equivocado.
Qual é a importância do livro?
A importância de O Brasil Nação está em reunir, de forma especialmente contundente, vários traços centrais do pensamento de Bomfim: a crítica às oligarquias, a defesa do povo como núcleo legítimo da nação, a valorização da educação como eixo de regeneração nacional e a recusa de explicações racialistas ou deterministas para os problemas do Brasil.
Em vez de culpar raça, clima ou “inferioridade nacional”, Bomfim responsabilizava a história política e social produzida pelas elites. Por isso, a obra continua relevante como interpretação crítica da formação brasileira.
O Brasil Nação circulou no momento de sua publicação, mas depois foi marginalizado e em parte silenciado no debate intelectual, por seu teor crítico, radicalmente anti-oligárquico e pouco compatível com leituras mais conservadoras ou ufanistas do Brasil. Um estudo da PUC-Rio observa que O Brasil Nação, publicado em 1931, destoava de leituras mais positivas e ufanistas do Império, da República e até da Revolução de 1930, justamente porque Bomfim via com maus olhos esses processos e defendia uma crítica nacionalista radical das elites e do Estado.
