O Governo Federal anuncia a criação de uma Universidade Federal Indígena. À primeira vista, a medida pode parecer nobre. Mas, quando analisada com mais atenção, revela uma lógica conhecida: mais uma iniciativa de forte apelo simbólico, alto custo público e evidente utilidade política.
O problema não é reconhecer a importância das culturas indígenas. Elas fazem parte da história, da identidade e da formação do Brasil. O problema é transformar essa causa em mais uma estrutura estatal permanente, com reitoria, cargos, assessorias, orçamento próprio, despesas administrativas e novas camadas burocráticas – tudo isso em um país já profundamente endividado e com graves problemas de educação básica, saúde, segurança, infraestrutura e formação profissional.
Se o objetivo fosse realmente ampliar o conhecimento sobre povos indígenas, suas culturas, línguas, histórias e contribuições para o Brasil, isso poderia ser feito dentro das universidades já existentes, por meio de cursos, disciplinas, centros de pesquisa, programas de extensão, bolsas, formação de professores e projetos interdisciplinares abertos a todos os brasileiros.

A verdadeira inclusão não se faz separando brasileiros em estruturas próprias, mas garantindo que todos tenham acesso real, digno e qualificado às universidades já existentes. Criar uma universidade separada para assuntos da cultura indígena sugere inclusão, mas é algo que produz exatamente o contrário: a segregação institucional de grupos que deveriam participar plenamente da vida universitária nacional, lado a lado, integrado-se plenamente à vida universitária nacional, convivendo, estudando e construindo conhecimento ao lado de estudantes de todas as origens.
O Brasil não precisa de mais estruturas caras criadas para produzir efeito político imediato. Precisa de políticas públicas sérias, eficientes e integradoras, capazes de melhorar a educação para todos, sem transformar cada causa legítima em uma nova máquina administrativa.
Mais uma vez, corre-se o risco de a maioria dos brasileiros pagar a conta de uma medida apresentada como justiça social, mas construída segundo a velha lógica do populismo estatal: muito símbolo, muita propaganda, muita despesa – e pouca transformação real.
Em um país tão rico, mas dominado por elites políticas e administrativas que controlam recursos, prioridades e destinos, esse tipo de iniciativa precisa ser debatido com seriedade. Defender os povos indígenas não exige criar novas ilhas burocráticas. Exige educação de qualidade, respeito, integração, proteção efetiva de direitos e políticas públicas que funcionem de verdade.
O Brasil precisa menos de projetos eleitoreiros e mais de responsabilidade com o dinheiro público, com a educação e com todos os brasileiros.
