O Maranhão: um atraso duradouro imposto por incompetentes
Um estado tão rico em potencial como o Maranhão volta a desperdiçar a oportunidade de atrair investimentos e se reafirma como um dos maiores retratos da incompetência administrativa dos seus três poderes. O Maranhão vive continuamente em um atraso crônico, implementado, fortalecido e mantido de forma duradoura por servidores públicos incapazes nos altos escalões dos seus três poderes. Não existe um plano sério para o desenvolvimento humano do estado. Basta observar a precariedade da infraestrutura de transportes. Já se sabe, no mais tardar desde a época do Império Romano, que a primeira condição para o desenvolvimento econômico é uma infraestrutura de transportes eficiente. Quando ela existe, o comércio flui, a circulação de riquezas se intensifica e a prosperidade surge quase naturalmente.
Mas cidadãos ricos e verdadeiramente empoderados sempre representaram um perigo para a classe dominante. O próprio Pedro II já compreendia isso e abandonou o Nordeste, justamente a região que foi berço de muitos levantes contra a escravidão e em favor da independência do Brasil. Essa cultura de ignorar o Maranhão e o Nordeste permaneceu desde então. A região foi abandonada e entregue a políticos corruptos, que a transformaram em reduto eleitoreiro, cultivando falsas esperanças de dias melhores e sustentando o povo com esmolas sociais, sem jamais empoderá-lo por meio de serviços públicos de qualidade em saúde, segurança, educação e infraestrutura de transportes.
É por isso que muitos empresários acabam sendo empurrados a negociar com corruptos, para não verem seu talento e sua capacidade de empreender destruídos; que parte da juventude é lançada ao crime, após crescer em meio à violência dentro de casa, nas ruas e nos próprios serviços oferecidos pelos três poderes; e que o destino de inúmeras famílias se converte em desgraça. Não justifico o crime: crime é crime e deve ser punido com todo o rigor da lei. Mas é impossível ignorar a origem do mal. E, nesse contexto, quem cria as condições que empurram brasileiros para a prática do mal também carrega responsabilidade criminosa.
Vejo com clareza como essa política perversa contra a maioria dos maranhenses tem prosperado. A rodovia mostrada no vídeo abaixo é um exemplo disso. Outro exemplo é a limitada imaginação política de um povo que ainda não consegue se livrar nem dos maus candidatos a cargos eletivos nem de muitos membros dos três poderes no Maranhão, os quais ajudam a manter o estado aprisionado em seu atraso econômico e social. O povo não tem culpa por essa situação, pois está longe de ser devidamente empoderado para participar da cogestão de seus próprios recursos e para reconhecer homens de virtude (>>>) capazes de conduzir a gestão do estado e de seus destinos; ao contrário, é mantido fraco. A política tem empoderado muito mais uma pequena classe privilegiada do que a maioria da população, e muitos dos que se elegem enganam o povo, alimentando falsas esperanças apenas para se tornarem membros dessa pequena classe, em vez de romper com esse paradigma perverso. O povo foi degradado à condição de mero eleitor, dependente de esmolas sociais e refém de serviços públicos precários, que não empoderam ninguém.
A rodovia que liga São Luís ao Piauí talvez tenha servido, ao longo do tempo, como grande fonte de riqueza ilícita para políticos e para as elites que os sustentam. Nunca vi essa estrada em bom estado de conservação. Sei que, de tempos em tempos, ela é reformada, mas logo volta a se deteriorar depois de poucos períodos de chuvas. Lembro-me, inclusive, de placas informando sobre empréstimos de bancos internacionais destinados a essas obras.
Essa BR permanece como símbolo do resultado do trabalho dos três poderes e dos engenheiros responsáveis por sua execução no Maranhão. Muitas vidas já se perderam nela, e incontáveis famílias foram lançadas à dor e à desgraça. Em minha avaliação mais severa, isso deixou de ser mera incompetência: trata-se de um crime, possivelmente até premeditado, cometido por aqueles que têm o dever de mantê-la em perfeito estado de conservação e não o fazem, mesmo sabendo do perigo que essa situação representa para milhares de usuários – cidadãos que querem prosperar, pagar seus impostos e contribuir para um Maranhão forte e justo para todos. Esses cidadãos fazem a sua parte, e a fazem muito bem. Há muito tempo, a limitação financeira do estado deixou de ser uma explicação plausível para a precariedade da infraestrutura rodoviária do Maranhão.
Empreendedores do setor de transporte de cargas e todos os que dependem dessa rodovia vivem sob alto risco de perder a vida e de arruinar seus negócios. Já as elites dos três poderes, responsáveis pela qualidade desse trabalho, não correm risco algum. Permanecem protegidas, distantes das consequências da própria incompetência, enquanto a população paga com prejuízo, sofrimento e, muitas vezes, com a própria vida.
Sou maranhense e fui forçado a deixar minha terra em 1983, no início da chamada década perdida do Brasil. Pelas mesmas razões que me levaram a sair do país, hoje 67% dos brasileiros entre 16 e 35 anos dizem querer abandoná-lo. Veja abaixo um recorte da matéria divulgada em 2024.


Estive entre 2024 e 2025 três vezes no Maranhão e, todas as vezes que passo por lá, saio sem esperança, porque muito pouco muda para melhor. Ao meu ver, o Maranhão continua sem horizonte de Ordem e Progresso, preso a um sistema de gestão que não lhe faz bem e que insiste em bloquear seu verdadeiro desenvolvimento humano, econômico e social.
Meu povo e minha cultura me marcaram mais profundamente em pouco tempo de vivência aí no Maranhão do que mais de 4 décadas aqui na Alemanha. Sempre que piso em solo maranhense, sinto como se minhas raízes, até então adormecidas, despertassem de imediato e, por si mesmas, voltassem a se prender fortemente à minha terra. Então nasce em mim um sentimento poderoso de não querer mais deixar meu povo nem a cultura que me formou. Talvez por isso eu não permaneça mais tempo aí: essa força afetiva chega a ser maior do que a razão. Quanto mais tempo eu passo aí, menos desejo voltar para a Alemanha. E, quando retorno, ainda enfrento uma dura fase de readaptação à Alemanha. Minha família é a fonte de onde me alimento com a energia para viver fora de minha terra. Embora eu viva aqui há tantas décadas, nada se compara à energia vital das minhas raízes nordestinas, sobretudo maranhenses – meus pais são retirantes do Ceará. Raizes nordestinas são fortísimas.
